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Tik Tok: “Em quase dois meses, ganhámos mais de meio milhão de utilizadores em Portugal”

Tik Tok: “Em quase dois meses, ganhámos mais de meio milhão de utilizadores em Portugal”
Publicado em 13 Maio, 2020
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É a rede social do momento, com origem na China. Presente em 155 países e com mais de 500 milhões de utilizadores activos diários, dispara em Portugal desde a pandemia. Para começar, o nome fica no ouvido: Tik Tok. Os vídeos curtos até 15 segundos, que tiveram um primeiro impacto nos miúdos, também contribuem para o sucesso, numa altura em que as pessoas estão ávidas de entretenimento via smartphones.

É esta a receita do crescimento apresentada à SÁBADO por Inês Guedes, de 44 anos. A country manager da Azerion, empresa representante da Tik Tok em Portugal, fala dos números, da segurança,  da adesão das famílias e celebridades portuguesas à nova app.

A app Tik Tok é origem chinesa e tem ganho expressão nos Estados Unidos. Este fenómeno levanta problemas face ao contexto da pandemia?
Na sequência da guerra política entre os Estados Unidos e a China, os primeiros começaram a levantar questões quanto à segurança. Isto foi automaticamente desmentido e explicado pela empresa, porque não é pela plataforma ter origem chinesa que vamos começar a duvidar. A segurança é feita da mesma maneira para qualquer utilizador como, por exemplo, o Facebook faz para assegurá-la. Pode ser opção dos pais terem mais ou menos controlo consoante a plataforma.

Pode exemplificar?

Sei de pessoas que têm controlo parental nos telemóveis dos filhos ou os seus computadores. Mas não temos informação que a plataforma não seja segura ou que haja algum tipo de problema.

Nesta plataforma de vídeos, há quantos utilizadores em Portugal?
Estamos com 1 milhão e 700 mil, ou seja, mais 30% face aos dados de fevereiro de 2020. Em quase dois meses ganhámos mais de meio milhão de utilizadores [510 mil] em Portugal. Representam o crescimento na plataforma desde a fase de confinamento. É imenso, tendo em conta que começámos a vender campanhas no Tik Tok em Maio de 2019 e nessa altura tínhamos 800.000 utilizadores.

Mais mulheres ou homens?
A distribuição é 65% feminina e 35% masculina. Porque elas, mesmo na fase adulta, têm muito mais à vontade para este tipo de conteúdos do que os homens; e são mais participativas. Não planeiam tanto.

 Quem são as celebridades presentes no Tik Tok?

Sara Sampaio, Rita Pereira, Sara Matos, Bárbara Bandeira, Ana Guiomar, Sofia Ribeiro, Cristina Ferreira, Ronaldo, David Carreira, Eduardo Madeira, Pedro Teixeira. A quantidade de figuras públicas com contas no Tik Tok aumentou, é um fenómeno recente. Aliás, as bloggers estão cada vez mais a utilizar a plataforma.

A 19 de maio, pelas 18h30, a Lisbon Digital School vai apresentar uma conferência online dedicada à vossa rede social. O que será abordado?
Será uma apresentação mais informativa, para esclarecer os potenciais anunciantes e as pessoas. Falaremos sobre que esta rede proporciona às pessoas, o porquê do interesse dos utilizadores, o crescimento exponencial durante a pandemia. É importante até para os anunciantes de outros segmentos de mercado entenderem a oportunidade de comunicarem na rede. Há muita procura.

De que modo é que a quarentena contribuiu para os números dispararem?
Em tempos de confinamento, o Tik Tok é terapêutico. Nesta fase é crucial para as pessoas ocuparem o tempo, desde a criação à comunicação dos vídeos. Mais: o conteúdo pode ser partilhado noutras redes sociais, o que faz com que tenha um alcance maior.

Em média, qual é o tempo que cada utilizador passa nesta rede?
Cerca de 50 minutos diários. Normalmente, o utilizador abre a app sete vezes ao dia. Porque enquanto estão a planear o vídeo, treinam várias vezes até publicarem a versão final. Muitas vezes publicam vários vídeos seguidos. Isto promove uma interação de bastante tempo.

Em termos de faixas etárias, continua a ser utilizada por jovens até aos 25 anos?
Passámos a ter uma percentagem maior em targets mais velhos. Temos 12% de utilizadores dos 13 aos 14 anos; 32% dos 14 aos 18; 36% dos 19 aos 24; e 20% acima dos 25 anos. Como há mais tempo disponível, a família toda participa. Anteriormente, os pais davam menos atenção aos miúdos. Agora aderem à plataforma, se calhar por curiosidade e para saberem o que os filhos andam a fazer; ou porque os miúdos os desafiam a participar. É uma forma de passarem tempo juntos.

Os vídeos curtos ajudam?
Têm menos de 15 segundos e baseiam-se em temas como dançar, viajar, moda, etc. O Tik Tok captura o momento e apresenta o lado mais criativo dos utilizadores. Aquilo que eles podem partilhar no momento através dos seus smartphones.

 Quais os conteúdos mais publicados?

Músicas coreografadas, que implicam um conceito e uma ideia. O que faz com que os utilizadores dediquem algum tempo a treinar e a aperfeiçoar os vídeos. Porque o Tik Tok vem do antigo Musical.ly [app que recuperava o playback na versão lip-sync, sincronização labial]. Foi adquirido pela Byte Dance, que é uma empresa chinesa que designou a plataforma de Douyin, mas internalizou-a com o nome de Tik Tok.

Qual é a fonte de financiamento?
Como qualquer plataforma, a publicidade é uma componente interessante como fonte de receita. É tão válida para o Tik Tok como para qualquer outra rede social.

De que modo é que entram os anunciantes?
O tom positivo deixa os utilizadores muito mais recetivos à publicidade das marcas. Saem um bocadinho do contexto atual, vão divertir-se um pouco, dar largas à imaginação. Isso vai refletir-se no resultado que elas têm de interação com as marcas. Porque as pessoas já estão muito cansadas de plataformas com notícias da covid-19.

Que tipos de marcas é que vos procuram?
As associadas à alimentação, tecnologia, às bebidas, aos operadores móveis, ao entretenimento como canais de filmes para crianças.

Quanto custa um anúncio?
Depende muito do budget das marcas. É muito relativo, não consigo dar um valor. O formato que vendemos mais é o de vídeo, pode ser de seis ou 15 segundos. Temos ainda um anúncio estático que ocupa o ecrã inteiro, mas é menos vendido; e um novo de experimentação do produto que faz com que a mensagem seja passada de forma mais envolvente.

Fonte: Sábado