É a rede social do momento, com origem na China. Presente em 155 países e com mais de 500 milhões de utilizadores activos diários, dispara em Portugal desde a pandemia. Para começar, o nome fica no ouvido: Tik Tok. Os vídeos curtos até 15 segundos, que tiveram um primeiro impacto nos miúdos, também contribuem para o sucesso, numa altura em que as pessoas estão ávidas de entretenimento via smartphones.
É esta a receita do crescimento apresentada à SÁBADO por Inês Guedes, de 44 anos. A country manager da Azerion, empresa representante da Tik Tok em Portugal, fala dos números, da segurança, da adesão das famílias e celebridades portuguesas à nova app.
A app Tik Tok é origem chinesa e tem ganho expressão nos Estados Unidos. Este fenómeno levanta problemas face ao contexto da pandemia?
Na sequência da guerra política entre os Estados Unidos e a China, os primeiros começaram a levantar questões quanto à segurança. Isto foi automaticamente desmentido e explicado pela empresa, porque não é pela plataforma ter origem chinesa que vamos começar a duvidar. A segurança é feita da mesma maneira para qualquer utilizador como, por exemplo, o Facebook faz para assegurá-la. Pode ser opção dos pais terem mais ou menos controlo consoante a plataforma.
Sei de pessoas que têm controlo parental nos telemóveis dos filhos ou os seus computadores. Mas não temos informação que a plataforma não seja segura ou que haja algum tipo de problema.
Nesta plataforma de vídeos, há quantos utilizadores em Portugal?
Estamos com 1 milhão e 700 mil, ou seja, mais 30% face aos dados de fevereiro de 2020. Em quase dois meses ganhámos mais de meio milhão de utilizadores [510 mil] em Portugal. Representam o crescimento na plataforma desde a fase de confinamento. É imenso, tendo em conta que começámos a vender campanhas no Tik Tok em Maio de 2019 e nessa altura tínhamos 800.000 utilizadores.
Mais mulheres ou homens?
A distribuição é 65% feminina e 35% masculina. Porque elas, mesmo na fase adulta, têm muito mais à vontade para este tipo de conteúdos do que os homens; e são mais participativas. Não planeiam tanto.
Sara Sampaio, Rita Pereira, Sara Matos, Bárbara Bandeira, Ana Guiomar, Sofia Ribeiro, Cristina Ferreira, Ronaldo, David Carreira, Eduardo Madeira, Pedro Teixeira. A quantidade de figuras públicas com contas no Tik Tok aumentou, é um fenómeno recente. Aliás, as bloggers estão cada vez mais a utilizar a plataforma.
A 19 de maio, pelas 18h30, a Lisbon Digital School vai apresentar uma conferência online dedicada à vossa rede social. O que será abordado?
Será uma apresentação mais informativa, para esclarecer os potenciais anunciantes e as pessoas. Falaremos sobre que esta rede proporciona às pessoas, o porquê do interesse dos utilizadores, o crescimento exponencial durante a pandemia. É importante até para os anunciantes de outros segmentos de mercado entenderem a oportunidade de comunicarem na rede. Há muita procura.
De que modo é que a quarentena contribuiu para os números dispararem?
Em tempos de confinamento, o Tik Tok é terapêutico. Nesta fase é crucial para as pessoas ocuparem o tempo, desde a criação à comunicação dos vídeos. Mais: o conteúdo pode ser partilhado noutras redes sociais, o que faz com que tenha um alcance maior.
Em média, qual é o tempo que cada utilizador passa nesta rede?
Cerca de 50 minutos diários. Normalmente, o utilizador abre a app sete vezes ao dia. Porque enquanto estão a planear o vídeo, treinam várias vezes até publicarem a versão final. Muitas vezes publicam vários vídeos seguidos. Isto promove uma interação de bastante tempo.
Em termos de faixas etárias, continua a ser utilizada por jovens até aos 25 anos?
Passámos a ter uma percentagem maior em targets mais velhos. Temos 12% de utilizadores dos 13 aos 14 anos; 32% dos 14 aos 18; 36% dos 19 aos 24; e 20% acima dos 25 anos. Como há mais tempo disponível, a família toda participa. Anteriormente, os pais davam menos atenção aos miúdos. Agora aderem à plataforma, se calhar por curiosidade e para saberem o que os filhos andam a fazer; ou porque os miúdos os desafiam a participar. É uma forma de passarem tempo juntos.
Os vídeos curtos ajudam?
Têm menos de 15 segundos e baseiam-se em temas como dançar, viajar, moda, etc. O Tik Tok captura o momento e apresenta o lado mais criativo dos utilizadores. Aquilo que eles podem partilhar no momento através dos seus smartphones.
Músicas coreografadas, que implicam um conceito e uma ideia. O que faz com que os utilizadores dediquem algum tempo a treinar e a aperfeiçoar os vídeos. Porque o Tik Tok vem do antigo Musical.ly [app que recuperava o playback na versão lip-sync, sincronização labial]. Foi adquirido pela Byte Dance, que é uma empresa chinesa que designou a plataforma de Douyin, mas internalizou-a com o nome de Tik Tok.
Qual é a fonte de financiamento?
Como qualquer plataforma, a publicidade é uma componente interessante como fonte de receita. É tão válida para o Tik Tok como para qualquer outra rede social.
De que modo é que entram os anunciantes?
O tom positivo deixa os utilizadores muito mais recetivos à publicidade das marcas. Saem um bocadinho do contexto atual, vão divertir-se um pouco, dar largas à imaginação. Isso vai refletir-se no resultado que elas têm de interação com as marcas. Porque as pessoas já estão muito cansadas de plataformas com notícias da covid-19.
Que tipos de marcas é que vos procuram?
As associadas à alimentação, tecnologia, às bebidas, aos operadores móveis, ao entretenimento como canais de filmes para crianças.
Quanto custa um anúncio?
Depende muito do budget das marcas. É muito relativo, não consigo dar um valor. O formato que vendemos mais é o de vídeo, pode ser de seis ou 15 segundos. Temos ainda um anúncio estático que ocupa o ecrã inteiro, mas é menos vendido; e um novo de experimentação do produto que faz com que a mensagem seja passada de forma mais envolvente.
Fonte: Sábado




