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Mota-Engil alia-se a parceira chinesa para a sua maior obra

Mota-Engil alia-se a parceira chinesa para a sua maior obra
Publicado em 26 Agosto, 2020
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A Mota-Engil, em consórcio com a China Communication Construction Corporation (CCCC), com quem estabeleceu uma parceria estratégica em 2019, foi pré-qualificada num concurso na Nigéria no valor de 2.250 milhões de dólares (cerca de 1.900 milhões de euros). Um montante que mais do que duplica o maior projeto da história do grupo português, o corredor de Nacala, que exigiu 1.000 milhões de dólares (cerca de 840 milhões de euros ao câmbio atual), desenvolvido entre os anos de 2012 e 2014.

De acordo com um anúncio publicado na imprensa nigeriana esta semana, o agrupamento da Mota-Engil é um dos seis pré-qualificados para a construção da quarta ponte de Lagos, a maior cidade do país, em regime de parceria público-privada (PPP).

No total, o projeto recebeu 32 manifestações de interesse, tendo sido selecionados inicialmente 10 consórcios. Agora, as autoridades locais qualificaram seis, considerados com capacidade técnica e financeira para o projeto, que passam assim para a fase de apresentação de propostas.

Dos seis agrupamentos selecionados, só um não integra grupos chineses, sendo composto por empresas turcas. Fora da corrida ficaram a espanhola Ingenieros Consultores e o grupo alemão Julius Berger. O governo de Lagos refere que anunciará oportunamente os selecionados para a próxima etapa.

As autoridades nigerianas pretendem que os trabalhos para a construção desta travessia rodoviária, que terá uma extensão de 38 quilómetros, comecem no primeiro trimestre do próximo ano. O projeto, que foi proposto ainda em 2006, visa ligar a ilha de Lagos e o continente e reduzir os congestionamentos de tráfego.

Questionada pelo Negócios, a construtora portuguesa referiu apenas que não comenta projetos em fase de concurso.

Parceria estratégica

Foi por ocasião da visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China, em abril de 2019, que o grupo português assinou com a quarta maior construtora do mundo – também já apontada como estando interessada em entrar no capital da Mota-Engil – um memorando de entendimento para colaborarem em parcerias em diversos mercados. Uma parceria que começou este ano a dar resultados.

Ainda em fevereiro, a construtora liderada por Gonçalo Moura Martins ganhou um contrato de 270 milhões de euros na Colômbia para um projeto hidroelétrico de uma sociedade detida pela CCCC e pela China Three Gorges, e em abril, o consórcio que lidera (com 58%) com o seu parceiro chinês assegurou o contrato para a construção do primeiro lote do Tren Maya, no México, no valor de 636 milhões de euros. A maior obra de sempre ganha pelo grupo português na América Latina, e o primeiro contrato da CCCC naquele mercado.

32 mil milhões para infraestruturas

Na Nigéria, a Mota-Engil tem expectativas de negócio face a relevantes concursos de PPP que estão previstos em diferentes áreas de negócio, como a concessão dos principais aeroportos e portos do país. Nesse sentido o grupo criou ainda na segunda metade de 2018 uma “joint venture” com a empresa local Shoreline, do empresário Kola Karim, – a Mota-Engil Nigeria Limited, que tem estado desde então a acompanhar esses projetos.

Por seu lado, a CCCC está presente na Nigéria desde a década de 90, tendo o seu mais recente investimento naquele país sido a aquisição de uma posição maioritária no maior porto de águas profundas (Lekki), um investimento de mil milhões de dólares para o qual obteve o apoio do China Development Bank, que financiou 629 milhões de dólares. O grupo chinês começou neste projeto por ser o construtor, tomando mais tarde a posição como maior acionista da infraestrutura.

Em julho, as autoridades nigerianas anunciaram a constituição da Empresa Nacional para o Desenvolvimento de Infraestruturas, que terá 32 mil milhões de euros para construir infraestruturas críticas para o desenvolvimento daquela que é hoje a maior economia africana.

A expectativa é que esta empresa pública, que tem uma gestão profissional independente e é apoiada pelo Banco Central da Nigéria, o Africa Finance Corporation (AFC) e o Nigeria Sovereign Investment Authority (NSIA), concretize o financiamento, a nível local e internacional, em três anos.

Fonte: Jornal de Negócios