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Mais de 40% dos investidores recorre a fusões e aquisições para entrar em novos mercados

Mais de 40% dos investidores recorre a fusões e aquisições para entrar em novos mercados
Publicado em 27 Março, 2022
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O principal impulsionador das fusões e aquisições (M&A – Mergers & Acquisitions) mundiais continua a ser a necessidade de entrada num novo mercado (43%), seguindo-se a obtenção de conhecimento ou de trabalhadores (acq-hiring), que motivou mais de um terço dos negócios (36%) ou a compra da concorrência (32%). Só 4% recorrem a estas operações para acelerar a digitalização, concluiu um estudo publicado esta quarta-feira pela sociedade de advogados internacional CMS.

De acordo com a 14ª edição do “European M&A Study”, que analisou mais de 5.500 transações, a maioria dos negócios envolveu métricas tradicionais de M&A, mais earn-outs (cláusulas contratuais para minimização de risco para os vendedores) e um recuo na “abordagem amigável ao comprador” que se observou no primeiro ano da pandemia, verificando-se agora um padrão de maior partilha de risco.

Os autores do relatório concluíram ainda que aumentaram as apólices de seguro de W&I (Warranty & Indemnity), que são muito utilizada neste tipo de operações como garantia e indenização e responsabilidade fiscal, tendo a sua popularidade subido dois pontos percentuais num ano, de 17% em 2020 para 19% em 2021. O crescimento foi registado sobretudo na Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo), na Alemanha e no Reino Unido, mas permanece baixa em França e no sul da Europa, onde Portugal se insere.

No ano passado, houve também diferenças significativas entre a Europa e os Estados Unidos (EUA) – como aliás costuma haver – nas práticas observadas no mercado transacional, nomeadamente na maior presença do PPA (Purchase Price Allocation, o processo contabilístico de alocação de compra) nos EUA, enquanto os earn-outs foram mais populares no Velho Continente, estando em 26% dos acordos europeus analisados e em apenas 20% dos norte-americanos.

Em relação à arbitragem como mecanismo de resolução de disputas, foi utilizado em 33% dos negócios analisados, mais um ponto percentual do que no primeiro ano da pandemia.

Antes da guerra, as operações de M&A mantinham o ritmo, porque os investidores concentraram-se “nas fusões e aquisições para acelerar o crescimento e moldar futuros perfis de negócio”, mas é necessário esperar “para ver com que robustez continuará”, explica a advogados britânica e o advogado suíço.

“A invasão ilegal da Ucrânia começou e, embora nos mantenhamos positivos sobre o futuro das transações na Europa, devemos ser cautelosos sobre como esses eventos se desenrolarão. Muitos dos impulsionadores dos negócios em 2021 continuam a adequar-se, a resposta dos governos, empresas e público em geral à pandemia rendeu dividendos, mas há riscos e incertezas crescentes e pode haver mais riscos macroeconómicos no futuro”, advertem Louise Wallace e Stefan Brunnschweiler, líderes de Corporate/M&A na CMS.

Fonte: Jornal Económico