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Presidente da CCILC: Coronavírus tem “efeitos económicos de curto prazo”

Presidente da CCILC: Coronavírus tem “efeitos económicos de curto prazo”
Publicado em 4 Março, 2020
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O presidente da CCILC, João Marques da Cruz, pega no relatório diário da Organização Mundial de Saúde para sublinhar que “a China teve ontem (segunda-feira) 500 novos casos, mas desses, 96% foram na província de Hubei, no epicentro do coronavírus. Ou seja, a maior parte das outras províncias chinesas não teve nenhum novo caso ontem”, isto significa que “o vírus parece ter atingido um pico e a situação está controlada, isso é essencial para o efeito económico”.

João Marques da Cruz acredita que o coronavírus vai ter um impacto de curto prazo: “Este trimestre é óbvio que vai ter esse impacto e que vai ter consequências para o seguinte é normal.”

Mas para mitigar os impactos “é essencial que os países afetados tenham programas de estímulos à economia, nomeadamente de injeção de liquidez em pequenas e médias empresas (PME) porque, é muito interessante, o tecido económico chinês é composto por uma miríade de pequenas empresas privadas e uma situação destas faz com que os consumidores se retraiam a consumir e essas PME vivem com dificuldade”, explica.

“É preciso injeção de liquidez na economia dada pelos bancos centrais aos bancos e dos bancos às empresas. Se há país que tem capacidade de fazer isso é a China, porque é detentora de 40% das reservas mundiais de divisas e de ouro e por isso tem uma grande capacidade de intervenção na sua própria economia”, sublinha o presidente da CCILC.

Este programa de estímulos que está a ser noticiado já fez com que as bolsas tenham reagido de forma positiva na manhã desta terça-feira. “As bolsas são sempre um ótimo indicador da perceção dos mercados. Se virmos hoje as bolsas do mundo estão totalmente verdes com crescimentos de 2% a 3% porque se acha que o programa de estímulos vai compensar e superar o problema económico de curto prazo”, evidencia João Marques da Cruz para quem o impacto deste vírus na riqueza da China “não é um impacto ciclópico”.

Portugal

Portugal exporta para a China 600 a 700 milhões de euros por ano o que representa uma fatia de 0,77% de um bolo de 90 mil milhões de euros; o império do meio ocupa o 15º lugar na lista de países clientes dos produtos portugueses.

Ou seja, “Portugal é exposto não tanto pelo comércio direto com a China, a questão é toda a cadeia de arrefecimento do comércio internacional porque a China é uma grande economia, representa 18% do PIB do mundo e esse efeito em cadeia afeta Portugal”, revela João Marques da Cruz.

Assim, em Portugal acontece a “disrupção da cadeia logística de produção porque a China é extremamente importante para abastecimento dessas cadeias de produção”, isto acontece sobretudo em setores como a industria têxtil ou a produção de máquinas.

Fonte: TSF