Em menos de 24 horas, dois anúncios de reduções de posição na EDP. E ambas vindas de acionistas de referência. Primeiro, a venda em colocação acelerada de uma posição pela maior acionista, a chinesa China Three Gorges (CTG). Horas mais tarde, uma empresa de investimento de Abu Dhabi fez saber que tinha deixado de ter uma participação qualificada na elétrica.
A descida de posição não afeta o estatuto da CTG como maior acionista individual, que passa assim a deter 21,47%, pouco acima dos 21,35% que tinha comprado ao Estado no final de 2011 por cerca de €2,7 mil milhões. A venda de 1,8% a investidores institucionais qualificados, concretizada esta quarta-feira, permitiu à empresa chinesa encaixar quase €293 milhões, através da sua subsidiária luxemburguesa. A CTG tinha reforçado em 1,9% a sua posição na elétrica portuguesa em outubro de 2017.
Em outubro e novembro do ano passado, outra empresa chinesa – a CNIC – tinha reduzido fortemente a sua presença na EDP, anunciando a venda em duas tranches da quase totalidade dos 4,98% que detinha. As duas empresas de origem chinesa chegaram a ter cerca de 28% da companhia antes dessa venda – e da oferta pública de aquisição lançada pela CTG em maio de 2018, entretanto falhada.
Já esta quinta-feira de manhã foi conhecida a redução da posição da Mubadala. A empresa de investimento global sediada em Abu Dhabi deixa de ter participação qualificada, acumulando uma presença inferior a 2% no capital. Dos 4,06% que a empresa detinha da última vez que comunicou posição, o fundo soberano Mubadala Investment Company passa para cerca de 1,48%.
A EXAME sabe que esta movimentação estará relacionada com a joint venture criada, entretanto, entre a Masdar – subsidiária da Mubadala – e a Cepsa, onde a empresa de Abu Dhabi tem a maioria do capital, para desenvolver projetos de energia renovável em Espanha e Portugal. Uma participação qualificada na elétrica nacional poderia entrar em conflito com esta operação.
A Cepsa Masdar Renovables , que é detida em partes iguais pelas energéticas espanholas e de Abu Dhabi, tem um objetivo inicial de geração de energia eólica e fotovoltaica de entre 500 a 600 MW na Península Ibérica. O anúncio desta intenção foi feito no início deste ano, e recordava que em 2018 as energias renováveis foram capazes de responder a 55% das necessidades do mercado português. O objetivo é que, em 2030, cerca de 80% da eletricidade gerada em Portugal provenha de fontes renováveis. Em Espanha, espera-se que no final da década as fontes de energia renovável sejam responsáveis por 74% da procura.
A entrada dos árabes na EDP com uma participação qualificada remonta a 2008, quando o fundo soberano International Petroleum Investment Company (IPIC) comprou 2% da elétrica. Na altura, as duas empresas assinaram um acordo para eventual cooperação empresarial nas áreas do gás e da eletricidade. Em 2017, a IPIC fundir-se-ia com a Mubadala,
A EDP anunciou na semana passada os resultados financeiros relativos a 2019, ano em que reportou uma quebra de 1% nos lucros, em termos homólogos, para 519 milhões de euros. Penalizada pelos custos extraordinários relativos às centrais a carvão, a empresa liderada por António Mexia conseguiu, ainda assim, sustentar a atividade graças à EDP Renováveis, que viu os resultados líquidos subir 52% em 2019, para um valor recorde de 475 milhões. Também a atividade no Brasil ajudou às contas, com a unidade liderada por Miguel Setas a reportar 284 milhões de euros de lucros, o melhor resultado da história da elétrica naquele país.
Fonte: Exame




