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China prometeu “desbloquear” exportação de matérias-primas. Empresários em Portugal têm dúvidas

China prometeu “desbloquear” exportação de matérias-primas. Empresários em Portugal têm dúvidas
Publicado em 28 Junho, 2021
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Segundo o representante da AIMMAP, a China está a reduzir a produção e a importar, ou seja, “mantém os seus stocks de matéria-prima potencial, aquela primeira transformação que é feita da matéria-prima, para poder produzir ligas de alumínio, aço, etc.”

“Está a baixar essa produção, importando, pressionando ainda mais os mercados mundiais. Mantém em carteira a possibilidade de vir a produzir quando precisarem, mas não há notícia nenhuma de que neste momento estejam a contribuir para baixar, pelo menos até ao momento. Nós aqui em Portugal o que sentimos é que a situação está cada vez pior”, garante Rafael Campos Ferreira.

Os números compilados pela AIMMAP relativos aos últimos 12 meses traçam um cenário negro. Por exemplo, o preço de um lote de cobre, que em maio de 2020, custaria cerca de 5.300 dólares, neste momento já ultrapassa os 10 mil dólares; no mesmo período, um lote de estanho subiu de 15 mil para 25 mil dólares.

Oportunidade para especulação?

No curto-prazo, Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), tem dificuldade em antecipar uma descida de preços das matérias-primas. Não por causa dos bens em si, mas por questões logísticas.

“A China pode dizer que vai voltar a fornecer matérias-primas, mas desde o dizer até de facto as matérias-primas chegarem cá, isto demora muitos dias. E demora muitos dias que significam dificuldades no cumprimento de compromissos e de contratos que as empresas tinham assumido”, alerta.

O responsável máximo da AEP não consegue, por isso, estabelecer um calendário para uma possível retoma da normalidade de preços. “Primeiro, não sei qual é a escassez ou o nível de escassez que esta situação provocou. Em segundo, não sei qual será a capacidade de resposta, em termos logísticos, do transporte destes produtos, destas matérias-primas. Até porque é preciso não esquecer que a logística, nomeadamente ao nível do transporte marítimo, está muito concentrada em dois ou três grandes operadores mundiais. Por isso, há aqui muitos fatores que nós não controlamos e que, neste momento, para arriscar uma resposta, não seria muito responsável”, explica.

De acordo com Luís Miguel Ribeiro, antes de falarmos no fim de inflação de preços, descida da inflação, é essencial “perceber de que forma é que estes – entre aspas – lobby dos operadores de transporte vai responder a isto. Se nos vai ou não facilitar a vida em termos de transporte ou se vai fazer desta dificuldade uma oportunidade de negócio para eles”.

Por sua vez, José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), confessa-se otimista numa redução de preços com a notícia da China – mas avisa que valores não devem regressar ao pré-pandemia.

“Uma expetativa é positiva, mas estamos bastante receosos que os preços não baixem para os valores que tínhamos do início do ano de 2020. Ainda não percebemos o que esteve na base, se é uma questão de quantidades, de procura, se foi uma questão de especulação. Enfim. Estamos otimistas que as matérias-primas possam baixar os preços, mas não tanto o que seria desejado”, afirma.

Fonte: Renasçenca