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China garante que “não há riscos” de deflação “nem agora, nem no futuro”

China garante que “não há riscos” de deflação “nem agora, nem no futuro”
Publicado em 18 Agosto, 2023
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A China assegurou esta terça-feira que “não existem riscos de deflação” no país, “nem agora, nem no futuro”, depois de anunciar na semana passada que o índice de preços ao consumidor entrou em território negativo em julho.

“Não existem riscos de deflação na China, nem agora, nem no futuro”, disse Fu Linghui, porta-voz do Gabinete Nacional de Estatística (GNE), que, no entanto, reconheceu que a recuperação económica do país “enfrenta vários desafios”.

O índice de preços ao consumidor (IPC), o principal indicador da inflação na China, registou uma queda homóloga, de 0,3%, em julho.

Os preços ao consumidor, que caíram para território negativo pela última vez em fevereiro de 2021, estavam à beira da deflação há meses, indicando que a recuperação nos gastos não se materializou, depois de as autoridades terem abolido a política de ‘zero’ casos de covid-19, no início do ano.

A deflação consiste numa queda dos preços ao longo do tempo, por oposição a uma subida (inflação). O fenómeno reflete debilidade no consumo doméstico e investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos ativos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

“A procura doméstica continua a crescer. O consumo de serviços, como os derivados das férias de verão, já está a crescer, oferecendo suporte significativo”, disse Fu.

No entanto, o GNE informou que as vendas a retalho, um indicador chave para medir o estado do consumo, aumentaram 2,5%, em termos homólogos, em julho, um valor inferior aos 3,1% alcançados em junho e que se mantém abaixo do esperado pelos analistas, que previam um aumento de 4,6%.

Também foram divulgados esta terça-feira os dados da produção industrial do país, que cresceu 3,7%, em julho, em relação ao mesmo período do ano anterior. Este valor representa uma desaceleração em relação aos dados de junho (4,4%).

A taxa oficial de desemprego nas zonas urbanas situou-se em 5,3% no final de julho, acima dos 5,2% registados em junho, mas ainda dentro do limite máximo que as autoridades estipularam para este ano, de 5,5%.

O GNE suspendeu a publicação da taxa de desemprego jovem a partir de agosto, devido às “mudanças económicas e sociais que exigem uma melhoria e otimização das estatísticas laborais”, depois de alguns meses em que o indicador registou recordes acima dos 20%.

O investimento em ativos fixos aumentou 3,4%, nos primeiros sete meses do ano, depois de ter subido 3,8% no conjunto do primeiro semestre, o que se traduz numa diminuição que o GNE preferiu expressar em termos de comparação mensal (-0,01%).

“A taxa de crescimento de alguns indicadores importantes desacelerou em julho, o que é uma flutuação normal. No geral, a produção cresceu de forma constante em julho, o emprego manteve-se e a economia continuou o seu processo de recuperação”, disse Fu.

Após um início de ano promissor, a recuperação económica pós-pandemia mostra sinais de desaceleração. A débil procura doméstica e internacional, riscos de deflação e estímulos insuficientes, a par de uma crise imobiliária e falta de confiança no setor privado são as principais causas para o abrandamento da segunda maior economia mundial, segundo os analistas.

In Jornal de Negócios