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China e Portugal: partilhar oportunidades de desenvolvimento em conjunto

China e Portugal: partilhar oportunidades de desenvolvimento em conjunto
Publicado em 27 Março, 2026
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A análise do Embaixador da China sobre as relações comerciais com Portugal, que a China quer continuar a desenvolver e que, “num contexto internacional marcado por mudanças profundas” não se devem “interromper deliberadamente” podendo fazer recuar a economia global 

A análise do Embaixador da China sobre as relações comerciais com Portugal, que a China quer continuar a desenvolver e que, “num contexto internacional marcado por mudanças profundas” não se devem “interromper deliberadamente” podendo fazer recuar a economia global

No dia 31 de dezembro de 2025, cheguei a Lisboa para assumir funções como o 15.º Embaixador da China em Portugal. Ao pisar esta terra, senti de forma muito concreta que a amizade sino-portuguesa atravessa oceanos e resiste ao tempo.

Seja pelos sinais claros de abertura à cooperação das instituições públicas, seja pela simpatia e hospitalidade das pessoas, tudo me fez sentir acolhido e profundamente comovido.

Portugal é um país com profundas raízes históricas e os contactos sino-portuguesas já se iniciaram desde o século XVI. Em 1979, estabeleceram oficialmente as relações diplomáticas e, em 2005, elevaram-nas ao nível de Parceria Estratégica Global. Em 2018, assinaram o Memorando de Entendimento sobre a cooperação na construção conjunta da Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

A confiança política mútua tem-se consolidado, os intercâmbios de alto nível tornaram-se cada vez mais frequentes e a cooperação em múltiplos domínios produziu resultados significativos.

A China e Portugal tornaram-se um exemplo de respeito mútuo e benefício recíproco entre países com diferentes sistemas sociais e realidades nacionais, trazendo benefícios concretos aos seus povos.

As relações económicas e comerciais sino-portuguesas assentam numa forte complementaridade e apresentam amplas perspetivas de desenvolvimento. A China mantém-se, há vários anos, como o maior parceiro comercial de Portugal na Ásia.

No ano de 2025, o comércio bilateral de bens atingiu 11,04 mil milhões de USD, representando um crescimento homólogo de 8,2%. Até ao terceiro trimestre de 2025, a China foi o quinto maior país de origem do investimento estrangeiro em Portugal (conforme estatísticas sobre o IED por país de origem final), com um investimento direto acumulado de 14,4 mil milhões de euros.

No passado dia 20 de janeiro, tive a honra de participar na cerimónia de assinatura de projetos de investimento, realizada pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em Sines.

Nessa ocasião foi anunciado que Portugal captou 3077 milhões de euros de investimento estrangeiro em 2025, prevendo-se a criação de 2336 novos postos de trabalho. Entre os projetos divulgados, o maior, de 2065 milhões de euros, é feito pela empresa chinesa CALB que prevê a construção de uma fábrica de baterias de lítio em Portugal, com a estimativa de criação de 1800 novos empregos, dos quais 497 altamente qualificados.

As empresas chinesas em Portugal adotam, de forma generalizada, modelos de gestão localizados, cumprem rigorosamente a legislação da União Europeia e de Portugal e assumem ativamente responsabilidades sociais, sendo altamente reconhecidas pelo governo e pela sociedade portuguesa.

As empresas chinesas e as suas participadas criaram, direta ou indiretamente, um número significativo de postos de trabalho em Portugal, uma parte relevante dos quais em setores de elevado valor acrescentado, como finanças, tecnologia e indústria transformadora.

A sua participação contribuiu para alargar a cobertura de serviços financeiros e seguradores, dinamizar cadeias industriais associadas às energias renováveis e reforçar a formação de talentos qualificados através de projetos de inovação tecnológica.

Paralelamente, estas empresas têm apoiado comunidades locais e a igualdade social por meio de doações a grupos vulneráveis e têm fomentado o intercâmbio cultural através da organização ou patrocínio de atividades culturais, desportivas e recreativas.

Como diz um antigo provérbio chinês, “Tudo no mundo pode desenvolver juntos sem se prejudicarem; diferentes caminhos podem coexistir sem se confrontarem”.

Apenas será possível assegurar prosperidade duradoura e segurança comum com respeito mútuo, convivência pacífica e cooperação vantajosa para todos.

Pretender interromper deliberadamente os fluxos de capitais, tecnologia, bens, cadeias industriais e pessoas, fazendo recuar a economia global a um conjunto de espaços isolados, não é realista nem corresponde à tendência histórica.

Num contexto internacional marcado por mudanças profundas e desafios crescentes, a China está disposta a trabalhar com Portugal no sentido de dar continuidade à amizade tradicional, levar adiante a confiança mútua e os apoios mútuos e alinhar melhor as estratégias de desenvolvimento.

Partilhando oportunidades e promovendo o desenvolvimento conjunto, os dois países poderão tornar as boas relações ainda melhores e trazer maior estabilidade e energia positiva para este mundo em transformação.

Fonte: Expresso