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Fundos portugueses ignoram ações chinesas

Fundos portugueses ignoram ações chinesas
Publicado em 12 Junho, 2020
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As ações chinesas não têm conseguido atrair o interesse das gestoras portuguesas. Ao contrário do que aconteceu a nível global, com os fundos a reforçarem a exposição a ações da China durante a pandemia, os fundos portugueses têm ignorado as companhias da segunda maior economia do mundo. E nem as gigantes tecnológicas Alibaba ou Tencent entram no radar.

As “big tech” norte-americanas lideram a aposta dos fundos de ações internacionais geridos por gestoras nacionais. Empresas como a Microsoft ou a Apple surgem na dianteira, seguidas por outras grandes companhias tecnológicas e de serviços norte-americanas na lista das maiores apostas, com as ações de empresas chinesas a ficarem de fora. Nem grandes cotadas como a Alibaba ou a Baidu, que estão listadas no mercado dos EUA, entram na lista de investimentos dos fundos nacionais, seja em produtos que investem em ações americanas, seja em fundos de ações internacionais.

Apenas um fundo de ações emergentes investe diretamente em empresas cotadas na praça chinesa, com os restantes produtos que investem nesta região a privilegiarem uma exposição através do investimento noutros fundos e em ETF (fundos de índice).

Segundo as carteiras dos fundos relativas ao final de março, divulgadas no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o NB Mercados Emergentes está a apostar em empresas chinesas. A Tencent, a Alibaba e a Baidu são as três maiores posições do fundo, com 2,4 milhões de euros investidos nestes três títulos, o equivalente a perto de 24% da carteira.

O fundo tem ainda outros investimentos em títulos de empresas chinesas, como a China Construction, a Zhejiang Expressway ou o Bank of China. No entanto, a exposição à China nos fundos de ações nacionais fica restrito a este fundo. E nem outros fundos de ações internacionais do Novo Banco, como o NB Momentum, reserva parte do seu capital a empresas chinesas, um movimento que contraria aquilo que têm sido as tendências de investimento global.

Depois de a China ter estado no epicentro da pandemia, o país foi também o primeiro a recuperar e a reabrir de forma gradual a sua economia, levando os fundos a aumentarem a exposição ao país. Segundo dados recentes divulgados pela consultora EPFR, o investimento em ações chinesas em cerca de 800 fundos atingiu perto de um quarto dos dois biliões de ativos destes produtos.

Além do investimento em títulos listados em Hong Kong e Xangai, companhias como a Alibaba ou a Tencent destacam-se na lista das maiores posições dos fundos de ações globais e tecnológicas. No caso da Alibaba, a empresa de Jack Ma que está cotada em Nova Iorque, a companhia tem estado no centro das tensões entre Washington e Pequim, mas nem isso retira o otimismo dos especialistas para a empresa. Todos os mais de 60 analistas que seguem a empresa mandam comprar as ações.

Microsoft e Apple preferidas

Embora não estejam em linha com as convicções de compra dos fundos a nível global em relação às empresas chinesas, os gestores nacionais, tal como acontece lá fora, mantêm a preferência por grandes tecnológicas dos Estados Unidos. A Microsoft e a Apple lideram o investimento, mas há mais empresas do setor em destaque na lista das maiores posições.

A empresa de Bill Gates capta mais de 46 milhões de euros dos fundos portugueses, seguida pela dona do iPhone, que recolhe perto de 43 milhões de euros.

A Intel e a Alphabet, com 37 e 33 milhões de euros, respetivamente, são outras das grandes tecnológicas dos EUA na lista de apostas dos fundos nacionais. As “big tech” têm vindo a ganhar peso na pandemia, com a dependência de serviços tecnológicos a suportarem estas companhias nos últimos meses.

Empresas de serviços financeiros, como a Visa, o Goldman Sachs e o JPMorgan, e do setor do consumo também se destacam na lista das maiores participações.

Fonte: Negócios