Não chegou o fim das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China, mas a “guerra dos consulados” está a marcar a atualidade das duas maiores economias do mundo.
Dando um passo firme em resposta à ordem de encerramento do consulado chinês em Houston, no Texas, as autoridades chinesas tomaram o controlo esta segunda-feira do edifício que albergou o consulado norte-americano na cidade chinesa de Chengdu, a capital da província do sudoeste da China de Sichuan.
De acordo com o canal chinês em língua inglesa CGTN, a China informou a embaixada americana no seu território em 24 de julho sobre “a sua decisão de retirar a autorização de estabelecimento e operação do consulado geral dos Estados Unidos em Chengdu” depois de Washington “ter exigido abruptamente, em 21 de julho, que Pequim encerrasse o seu consulado” geral em Houston.
O encerramento dos consulados marca uma escalada significativa nas múltiplas disputas entre os dois países, que se estendem do comércio e tecnologia aos direitos humanos ou soberania do Mar do Sul da China.
O Departamento de Estado norte-americano expressou “deceção” lembrando que o consulado “está há 35 anos no centro das relações com o povo do oeste da China, incluindo o Tibete”
O ministério dos Negócios Estrangeiros da China emitiu um breve aviso a afirmar que as “autoridades competentes” entraram pela entrada da frente e assumiram as instalações, depois de os diplomatas norte-americanos terem saído.
No dia anterior, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu uma declaração de protesto sobre o que chamou de invasão ao seu consulado de Houston, considerando que violou a Convenção de Viena sobre Relações Consulares e a Convenção Consular China-EUA
A bandeira norte-americana foi retirada da missão de Chengdu às 06:18 na China (23:18 de domingo em Lisboa), segundo a emissora estatal chinesa CCTV.
A polícia fechou uma área de dois a três quarteirões ao redor do consulado, cortando praticamente qualquer vista da propriedade, incluindo a bandeira.
DIPLOMACIA NÃO TERMINOU
O consulado de Chengdu ganhou destaque em 2012, quando o chefe da polícia na cidade vizinha de Chongqing se refugiu na missão diplomática, precipitando a queda do líder em ascensão de Chongqing, Bo Xilai, no maior escândalo político na China em décadas.
Também foi anfitrião do então vice-Presidente norte-americano Joe Biden durante uma visita à China, quando o atual candidato à presidência pelo Partido Democrata acompanhou o então vice-presidente da China e agora chefe de Estado, Xi Jinping, numa deslocação à cidade.
Além dos consulados encerrados, os dois países mantêm representação diplomática um no outro. A China tem consulados em São Francisco, Los Angeles, Chicago e Nova Iorque, além da embaixada em Washington. Os EUA têm outros quatro consulados na China e uma embaixada em Pequim, assegurando paridade em termos de missões diplomáticas.
Fonte: Expresso




