O consórcio constituído pelas têxteis portuguesas Calvelex, Mundifios, Paulo de Oliveira e Riopele, juntamente com a chinesa Kingdom Holdings, uma das grandes produtoras mundiais de fio de linho e cânhamo, já está a avançar com a primeira unidade portuguesa de fiação a húmido de linho e cânhamo, prevendo a criação de cerca de 250 postos de trabalho. O investimento específico na fábrica ronda os 30 milhões de euros e integra o Projeto Lusitano, agenda mobilizadora do PRR com 111,5 milhões de euros de investimento global, segundo informação adiantada pelo Jornal de Negócios, por sua vez divulgada pela empresa de recrutamento Clan, que está a contratar operadores para a unidade da Nau Verde em Rebordões, Santo Tirso, cuja construção a FashionNetwork anunciou há um ano, que entrou na fase de arranque.
A unidade da Nafilux by Nau Verde foi instalada mais precisamente em Rebordões, num antigo edifício industrial com 15 mil metros quadrados, em Santo Tirso, onde a nova unidade industrial dedicada à fiação de fibras naturais abraça um projeto que pretende recuperar para Portugal e para a Europa uma etapa da cadeia de valor têxtil atualmente fortemente concentrada na Ásia.
A instalação foi desenvolvida num antigo edifício industrial associado à Filatex, com cerca de 15 mil metros quadrados de área coberta, que foi reabilitado e equipado para receber a nova operação, prossegue o periódico
A Nau Verde, que está na origem da Nafilux, é uma start-up portuguesa criada para desenvolver uma unidade industrial dedicada à produção de fios de linho e cânhamo, resultante da associação entre as quatro empresas portuguesas de referência no setor têxtil e a chinesa Kingdom Holdings, explica melhor.
Em suma: não obstante a Europa continuar a ser um importante centro de produção de fibra de linho, uma fatia significativa dessa matéria-prima é enviada para a Ásia para ser transformada através da chamada fiação húmida. Depois o fio regressa ao mercado europeu para ser utilizado na produção de tecidos, vestuário e outros produtos têxteis. E é precisamente essa lacuna que a Nau Verde pretende preencher.
A nova fábrica permitirá enfim produzir em Portugal fios destinados sobretudo a segmentos de maior valor acrescentado, aproveitando a procura crescente por matérias-primas naturais, rastreáveis e com menor impacto ambiental.
Ainda, de acordo com a informação mais recente, esta é a única unidade portuguesa de fiação húmida de linho e uma das poucas existentes na Europa dedicadas à produção de fio premium 100% linho. O projeto inclui a utilização de cânhamo, outra fibra natural considerada estratégica para o desenvolvimento de produtos têxteis mais sustentáveis.
Para além da construção da fábrica, a agenda mobilizadora do Projeto Lusitano pretende desenvolver uma cadeia de produção capaz de fabricar fios a partir de fibras naturais e recicladas e, posteriormente, novos produtos têxteis e de vestuário com maior valor acrescentado, conclui.




