Há uma revolução verde a tomar conta das finanças das principais empresas. Em Portugal, essa transformação é liderada pela EDP – Energias de Portugal. Desde outubro de 2018, quando realizou a primeira emissão de dívida verde por parte de uma entidade portuguesa numa operação de 600 milhões de euros, a EDP acumula já 12 emissões obrigacionistas deste tipo. Desde então, as “green bonds” permitiram à empresa liderada por Miguel Stilwell de Andrade angariar quase 8700 milhões de euros, o equivalente a 91% do montante total emitido por entidades portuguesas.
As obrigações verdes têm vindo a ganhar uma preponderância galopante da estratégia de financiamento da EDP. Já contabilizando a emissão de 500 milhões de euros realizada na segunda-feira, as obrigações verdes representam 37% dos 22,8 mil milhões de euros da dívida total da EDP. No espaço de apenas cinco anos, estes veículos tornaram-se no principal veículo de financiamento da empresa, ultrapassando o saldo-vivo das obrigações tradicionais (7897 milhões de euros) e os empréstimos contraídos pelo grupo (6648 milhões de euros).
Estes números vão ao encontro da meta estabelecida em fevereiro do ano passado por Miguel Stilwell de Andrade para 2025, quando espera que 50% do financiamento da empresa seja gerado a partir de “green bonds” e empréstimos verdes.
Para a EDP e para todas as empresas que optam por financiar-se no mercado da dívida verde, estes títulos conferem uma série de vantagens. Desde logo, permitem alavancar a imagem da empresa no plano da sustentabilidade, pois o capital angariado através destes instrumentos tem de ser aplicado em projetos que promovam o clima e o ambiente.
No campo financeiro, as obrigações verdes, além de terem cada vez maior procura por parte dos investidores, facilitando assim a sua colocação no mercado, permitem obter custos de financiamento mais baixos. Porém, não significa que sejam imunes às oscilações das taxas de juro do mercado monetário.
Recorde-se que em março, numa emissão de 1250 milhões de euros de obrigações verdes a 7 anos, a EDP financiou-se com uma taxa de cupão de 1,875%. Na segunda-feira, numa emissão verde com maturidade em 2030, a elétrica financiou-se em 500 milhões de euros com uma taxa de 3,875%.
No plano da gestão da dívida também não é indiferente o facto de as obrigações verdes permitirem implementar com sucesso uma estratégia de alongamento da maturidade da dívida da empresa dado que, tradicionalmente, estes títulos são emitidos com datas de maturidade bastante longas.
São disso exemplo cinco obrigações verdes da EDP, num valor acumulado de 3750 milhões de euros, colocadas no mercado entre 2019 e 2021, que só vencerão para lá de 2079. Em contrapartida, a obrigação tradicional da elétrica com a data de maturidade mais longa é 10 de junho de 2029.




