Oito meses depois de ter sido noticiado o interesse da China Communications Construction Company (CCCC) na Mota-Engil, o grupo português anunciou esta quinta-feira que tem em fase final de negociação um acordo de parceria estratégica e investimento com aquela que é a quarta maior construtora do mundo.
Através da compra de uma “participação relevante” à Mota Gestão e Participações (MGP), a “holding” da família Mota, e da subscrição de um aumento de capital de até 100 milhões de ações , a CCCC passará a deter mais de 30% do grupo português. O negócio, segundo a cotada, avalia-a em cerca de 750 milhões de euros, o que é mais do dobro do valor de mercado que tinha um dia antes de comunicar a operação (cerca de 344 milhões).
Esta quinta-feira, em conferência telefónica com analistas para apresentar os resultados do primeiro semestre, o presidente executivo da Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, apontou como prazo para a concretização desta transação, incluindo o aumento de capital, o quarto trimestre deste ano. Segundo o CEO do grupo, as aprovações necessárias para fechar o negócio são “basicamente do regulador da concorrência”.
Moura Martins garantiu aos analistas que a parceria que está em fase final de negociação “não é limitada no tempo” e não implicará qualquer restrição à atividade comercial da Mota-Engil no futuro. O responsável frisou a “complementaridade” entre os dois grupos, que este ano já têm concorrido em consórcio a concursos na América Latina e em África, e destacou as vantagens desta aliança em termos de financiamento para “muitos dos projetos que estamos a estudar”.
“Este movimento estratégico vai levar a companhia a outra dimensão nos próximos anos”, afirmou o CEO, acrescentando que com esta operação “podemos potenciar a nossa força financeira e sermos mais competitivos”. Salientando as dificuldades dos últimos anos e o atual contexto pandémico, Moura Martins assegurou que com a parceria “vamos ter mais soluções de financiamento para fortalecer o balanço, monetizar ativos e ter mais alternativas em termos de financiamento não só para a empresa como também para os clientes”. Em sua opinião, o negócio “é também bom” para a CCCC.
Família reduz para 40%
Após a concretização das operações anunciadas, a MGP, que hoje responde por quase 65% da construtora, passará a ter cerca de 40%. No comunicado à CMVM em que anunciou o acordo, a cotada refere que “holding” da família Mota “aceitou vender uma participação relevante no capital social da sociedade a um preço que reflete uma valorização que está muito acima do preço atual de mercado”, garantindo ainda o seu “total empenho e alinhamento com a sua posição histórica no grupo”.
O novo parceiro comprometeu-se, por seu lado, a subscrever uma participação relevante no aumento de capital social de até 100 milhões de novas ações – atualmente o grupo tem 237,5 milhões de títulos –, que será submetido brevemente a deliberação em assembleia-geral”, mas também a estabelecer “um acordo de parceria e investimento com o grupo Mota-Engil para desenvolver em conjunto oportunidades comerciais”.
Após este aumento do capital social, que a MGP também irá subscrever, o novo acionista “atingirá uma participação ligeiramente superior a 30%”, refere ainda na mesma nota, na qual assegura que o acordo “irá reforçar as capacidades financeiras, técnicas e comerciais do grupo Mota-Engil, a fim de aumentar as suas atividades em todos os mercados e abrir novas oportunidades para novos desenvolvimentos”.
O grupo português fechou em abril do ano passado, por ocasião da visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China, uma parceria estratégia com a CCCC, que este ano começou a dar resultados.
Ainda em fevereiro, a construtora ganhou um contrato de 270 milhões de euros na Colômbia para um projeto hidroelétrico de uma sociedade detida pela CCCC e pela China Three Gorges, e em abril, o consórcio que formou com o seu parceiro chinês assegurou o contrato para a construção do primeiro lote do Tren Maya, no México, no valor de 636 milhões de euros, o maior projeto que a Mota-Engil tem hoje na carteira.

Fonte: Jornal de Negócios




