SINGAPURA, 24 de Maio (Reuters) – A unidade de energias renováveis da maior empresa de serviços públicos de Portugal, a EDP (EDP.LS), está em conversações para vender energia diretamente a empresas japonesas e coreanas como forma de impulsionar o crescimento na Ásia, disse um funcionário, afastando-se dos seus tradicionais contratos com entidades estatais.
A unidade, EDP Renováveis SA (EDPR) (EDPR.LS), pretende investir 21 mil milhões de euros (23,12 mil milhões de dólares) em energias renováveis nos próximos quatro anos, 80% na América do Norte e na Europa, mas está a apostar em acordos com empresas para entrar na região Ásia-Pacífico.
“Estamos a negociar e a começar a abrir-nos às empresas japonesas e sul-coreanas, o que pode ser um grande impulsionador do crescimento”, afirmou Pedro Vasconcelos, Diretor de Operações para a Ásia-Pacífico, numa entrevista.
A região da Ásia-Pacífico representa apenas 5% da carteira total de energia da empresa.
Mas os grandes investimentos em projetos de energia renovável no Vietname e a aquisição da empresa de energia solar Sunseap ajudaram a aumentar a sua capacidade de produção de energia na Ásia 25 vezes num ano, para 712 megawatts (MW).
Agora, a empresa de serviços públicos procura acrescentar novas capacidades na Austrália e na China, para além de expandir a sua presença no Vietname e em Singapura.
A EDPR pretende replicar as suas operações na rica cidade-estado, onde fornece energia verde à Meta (META.O), Amazon (AMZN.O) e Microsoft (MSFT.O), disse Vasconcelos.
Poucos países na Ásia, ao contrário da Europa e dos EUA, têm regulamentos e políticas de apoio fiscal claramente definidos, disse Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo da EDP e da EDPR, embora existam “alguns países muito interessantes”.
As ligações às redes eléctricas e mecanismos como os leilões para permitir acordos de fornecimento de energia renovável a longo prazo beneficiariam o crescimento destes investimentos, acrescentou.
“É mais uma questão de definir um quadro regulamentar claro para podermos fazer investimentos a longo prazo”, afirmou Stilwell d’Andrade.
Os governos de todo o mundo têm procurado equilibrar as receitas fiscais e os incentivos para atrair novos investimentos em energias renováveis na corrida para tornar as suas redes mais ecológicas e neutras em termos de carbono.
Em Fevereiro, a Comissão Europeia revelou um plano industrial de acordo verde em resposta à Lei de Redução da Inflação (IRA) dos EUA, que temia que pudesse prejudicar as empresas sediadas na Europa.
A EDPR foi uma das empresas que decidiu investir mais capital nos Estados Unidos após a IRA.
Segundo Stilwell d’Andrade, os impostos e os limites máximos das tarifas de energia nalgumas nações europeias sufocaram novos investimentos, ao passo que as políticas norte-americanas incentivaram as empresas a investir no país.
“Se estivermos constantemente a tributar, a limitar os preços ou a recuperar lucros e receitas, não teremos capital suficiente”, afirmou.
Os lucros das 10 maiores empresas de serviços públicos da Europa são inferiores aos lucros de uma das cinco maiores empresas de petróleo e gás, acrescentou.
“Impostos adicionais são uma má ideia e desincentivam investimentos adicionais”.
Fonte: Reuters




