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Português é a língua “oficial” de negócios da China no mundo

Português é a língua “oficial” de negócios da China no mundo
Publicado em 6 Dezembro, 2017
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“Os chineses sabem que precisam dos portugueses. Temos de mostrar a força da nossa diplomacia económica para nos afirmarmos e também vendermos mais à China”, afirma Alberto Carvalho Neto, líder da Associação de Jovens Empresários Portugal-China. Nos primeiros oito meses deste ano, o comércio entre a China e os países lusófonos cresceu 30,2%, sendo a balança comercial positiva para estes. O Brasil é o maior destes parceiros da China e, ainda assim, não abdica de se associar a Portugal na promoção turística, por exemplo. O valor da língua portuguesa para a economia chinesa já é considerado como incalculável e o apoio para estes negócios em português vem de um fundo específico de mil milhões de dólares criado pela China só para negociar com países da CPLP. Ao mesmo tempo, Macau está a ser uma plataforma de negócio para as empresas portuguesas e os operadores turísticos são aliciados a criar produtos para este mercado. Na restauração, a Portugália luso-chinesa é já um caso de sucesso; consultoras portuguesas certificam projetos e produtos chineses que, assim, conseguem vender em África, na Europa e na América Latina.
O Instituto para a Promoção da América Latina tem também aproveitado a diplomacia portuguesa. Financiado por embaixadas e empresas, acompanhou a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) no congresso que decorreu na última semana em Macau. “No turismo, o retorno é imediatamente evidente”, assegurou o secretário-geral, Filipe Domingues. Por seu lado, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, disse em Macau, ao DV, que “este ano, falamos em crescimentos de 40% nos turistas chineses que visitam Portugal. Para o ano, vamos falar de 80%, se não for mais”. E o turismo é das melhores formas de promoção do país, porque “os chineses pouco sabem sobre Portugal, com exceção do futebol, e por isso utilizamos o Cristiano Ronaldo na promoção”, acrescenta Inês Almeida Garrett, coordenadora do Turismo de Portugal na China. “Comunicamos a enorme diversidade que encontram num país tão pequeno, onde uma das atividades preferidas deles é fazer compras, não só de artigos de luxo mas também de artesanato, apreciam os nossos produtos típicos”. Em 2015, Portugal enfrentava uma grave crise financeira e o IVA da restauração estava em máximos históricos. “Percebemos que teríamos de ir além do território nacional, foi por isso que nasceu a Portugália Macau”, diz Francisco Martins, CEO do Grupo Portugália Restauração. Os turistas chineses são já a maioria dos clientes: a unidade deverá faturar 1 milhão de euros este ano e alavancar a expansão para a China continental já em 2018. “Macau atua como o facilitador perfeito para a cooperação entre empresas da China e do mundo de língua portuguesa”, assegura Pedro Cardoso, CEO do BNU em Macau. O banco do grupo CGD foi “o primeiro banco de Macau a abrir uma agência na China continental” e o “primeiro grupo bancário internacional a abrir uma agência na zona de comércio livre em Hengqin”, abrindo caminho aos negócios de empresas portuguesas na China e das chinesas em Portugal. Outro banco português com sucesso na região é o Millennium bcp, que tem participado “nos grandes projetos locais de investimento e em operações de Trade Finance de fluxos comerciais entre Portugal e a China”.
Entrevista: “Fazia mais sentido o voo direto para Chongqing”
Alberto Carvalho Neto anda há sete anos numa missão peregrina: juntar os empresários portugueses e de Língua Oficial Portuguesa para fechar negócios na China. A Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC) já traz, anualmente, centenas de investidores a Portugal e está na génese de novas associações, como a Federação Sino-CPLP, que unem América Latina, África, Europa e China.
Como é que a AJEPC tem intermediado negócios com a China? Já trouxemos mais de mil empresários chineses a Portugal, em mais de 70 ações que vão desde missões empresariais à participação em feiras. Em junho, trouxemos 600 empresários chineses à Feira Internacional de Negócios, no Porto, em outubro, participámos na Macau International Fair, na Web Summit organizámos um cocktail para 600 pessoas e em março temos um evento no Brasil.
A língua portuguesa é um fator de desbloqueio de negócios? A China está empenhada em promover negócios com países de língua portuguesa e até existe um fundo de mil milhões de dólares para apoiar projetos. Só que está dimensionado para projetos de mais de 5 milhões e acaba por ser usado mais pelos chineses.
Os chineses continuam interessados em investir cá? Sim, mas o empresário individual arrefeceu devido às dificuldades dos vistos gold. Seria importante agilizar essa questão e também pensar nas rotas aéreas que se promovem. Seria mais interessante um voo Lisboa-Chongqing, que está no início da Rota da Seda e tem 30 milhões de habitantes que nunca viajaram para fora da China.