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Como o made in Portugal conquista os chineses

Como o made in Portugal conquista os chineses
Publicado em 3 Dezembro, 2018
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É um negócio da China made in Leça do Balio, Matosinhos. Começou devagarinho em 2009 e hoje rende milhões. A Super Bock foi uma das empresas portuguesas que cedo descobriram que o futuro do comércio está no Oriente. “Há uma forte apetência na China por produtos importados associados ao estilo de vida português”, explica Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group.

A sede dos chineses pelo é tanta que já vale 45% das exportações do grupo e, no início do ano, levou a empresa a criar uma cerveja especificamente para o paladar chinês. Rui Lopes Ferreira admite que a distância e as diferenças culturais são desafios diários na relação com aquele mercado, mas garante que o futuro passa por “dar continuidade à estratégia de exportação e expansão nesta geografia, com a prudência necessária”.

A Super Bock é uma entre as quase 1500 empresas portuguesas que, em 2017, exportaram para a China. Entre janeiro e setembro deste ano, as vendas de Portugal para o gigante asiático totalizaram 512 milhões de euros. Um montante que, oficialmente, coloca o país no 13.º lugar dos maiores clientes nacionais. Mas a realidade será outra.

“Essas estatísticas não coincidem com as chinesas. Nestas, a sensação é que o papel da China nas exportações portuguesas é mais importante. Isso poderá estar relacionado com as trasfegas. Em Portugal aparece um valor significativo de exportações para Singapura. Mas este não é o destino final, serve apenas como ponto de passagem”, afirma João Marques da Cruz, presidente da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) e administrador da EDP.

O responsável acredita que, fora da União Europeia, é no gigante asiático que está o maior potencial de crescimento das vendas de bens portugueses. Entre as que já têm o código postal de Pequim na lista de envios, o destaque vai para a Autoeuropa, a maior exportadora nacional para a China, segundo a CCILC. O setor automóvel representa, aliás, quase um terço das vendas de Portugal para aquele país. Seguem-se as exportações de minerais e de produtos ligados à indústria do papel. Aqui, são empresas como Altri, Navigator e Somincor que se destacam no top 10 de exportadoras. Entre os setores que se deverão afirmar naquele mercado nos próximos anos, Marques da Cruz destaca a moda, sapatos e produtos agroalimentares.

Apesar do otimismo, a balança comercial entre Portugal e China nunca pendeu tanto como agora para o lado asiático. As importações de bens chineses ultrapassaram os 1700 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, colocando o país no sexto lugar dos maiores fornecedores da economia nacional. Máquinas, metais e têxteis são os bens chineses que mais entram em Portugal.

Veja a notícia completa no Jornal de Negócios.