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China Three Gorges tem de investir 219 milhões para manter posição no capital da EDP. BCP tem de pagar 21 milhões

China Three Gorges tem de investir 219 milhões para manter posição no capital da EDP. BCP tem de pagar 21 milhões
Publicado em 22 Julho, 2020
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A China Three Gorges vai ter de investir quase 219 milhões de euros no aumento de capital da EDP para manter inalterada a sua participação de 21,47% na elétrica portuguesa.

O único acionista qualificado português da EDP é o banco BCP que vai ter de desembolsar 21,1 milhões de euros para manter inalterados os seus 2,07%.

A EDP vai lançar um aumento de capital no valor de 1.020 milhões de euros entre as 8h30 de 23 de julho e as 15h00 do dia 6 de agosto, o equivalente a 8,45% do capital da empresa. O grande objetivo é financiar a compra da energética espanhola Viesgo pela EDP. Cada ação vai ser lançada a 3,30 euros por ação, com um desconto de 23% face ao preço de encerramento de 15 de julho.

Esta subscrição encontra-se “reservada aos acionistas que exerçam os seus direitos de preferência e a outros investidores que adquiram direitos de subscrição”.

Quem não for a jogo, vai ficar com a posição diluída, conforme estabelece o prospeto da operação. “A proporção da titularidade do capital social e dos direitos de voto na EDP dos acionistas que não exerçam os seus direitos de subscrição será diluída com a emissão das novas ações”.

Depois da China Three Gorges, seguem-se os espanhóis da Oppidum Capital, com 7,19% da elétrica, que terão de investir 73,3 milhões de euros para ficarem com a mesma posição.

Na terceira posição surgem os norte-americano da Blackrock que terão de investir 46 milhões para garantir os seus 4,51%.

Depois, a Alliance Bernstein vai ter de desembolsar 30 milhões para ficar com os seus 2,94%, enquanto os argelinos da Sonatrach têm de pagar 24,2 milhões para manter os seus 2,38%,.

Já a Qatar Investment Authority vai ter de gastar 23,1 milhões para segurar os seus 2,27%, com os noruegueses do Norges Bank vai ter de pagar 22,6 milhões para salvaguardar os 2,22%, e a Capital Group Companies a ter de investir 20,90 milhões para ficar com os seus 2,05% inalterados.

A EDP também fechou um contrato com um sindicato bancário (underwriters) para assegurar que o sucesso da operação e que todas as operações são subscritas.

“Caso as novas ações não sejam totalmente subscritas no âmbito da emissão de direitos, poderão ser subscritas por Investidores Qualificados ou pelos Underwriters”, segundo o prospeto: BCP (20%);  J.P. Morgan Securities (20%); Morgan Stanley & Co. International (20%); BNP Paribas (13,33%); BofA Securities Europe SA (13,33%); Goldman Sachs International (13,33%).

A EDP anunciou que não vai cobrar qualquer custo aos investidores, avançando que as despesas com a operação, as comissões pagas ao sindicato bancário, atingem os 23 milhões de euros.

A Viesgo está avaliada em 2,7 mil milhões de euros com a EDP a investir 900 milhões para fechar esta aquisição. A operação está dividida em três partes: na primeira aquisição, a EDP comprou a rede de distribuição de eletricidade da Viesgo – localizada nas Astúrias e na Galiza – em parceria com a Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA). A Viesgo Distribution registou um EBITDA de 320 milhões em 2019, e vai passar a ser detida em 75% pela EDP e em 25% pela MIRA.

A segunda, é que a EDP Renováveis (detida maioritariamente pelo grupo EDP) vai comprar 100% do negócio renovável da Viesgo, que conta com 24 centrais eólicas e duas centrais mini-hídricas em Portugal e Espanha. A empresa conta com uma capacidade instalada total de 500 megawatts (MW), e está avaliada em 565 milhões de euros. A terceira parte é que a EDP também vai comprar as duas centrais a carvão da Viesgo na Andaluzia.

A compra deverá estar concluída até ao final de 2020, mas antes vai ter de passar por todas as respetivas avaliações regulatórias e governamentais, como é habitual num negócio destes. Assim, o negócio vai ser avaliado pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, e em Espanha vai ter de obter a aprovação do regulador de energia e de mercado CNMC, entre outros. Ao mesmo tempo, a empresa espanhola vai ter de passar pela “reestruturação corporativa necessária”.

Após a conclusão da operação, a EDP vai passar a deter integralmente a Viesgo e vai ter representação maioritária no conselho de administração, com direito a nomear o presidente executivo, o presidente do conselho de administração e o administrador financeiro.

Fonte: O Jornal Económico